Escravidão, batismo e compadrio na freguesia de Santana do Catu, 1826-1849

AUTORA: SANDI ÍSIS SANTANA DOS SANTOS

ORIENTADORA: PROF.ª DR.ª KÁTIA LORENA NOVAIS ALMEIDA

RESUMO
A presente pesquisa tem como objetivo analisar os registros de batismos contidos em três livros paroquiais da Matriz da Freguesia de Santana do Catu na primeira metade do século XIX, ou seja, entre os anos de 1826 a 1849. Dessa documentação privilegiada, pretendeuse verificar e compreender as relações de compadrio tecidas pela comunidade escrava ali existente, evidenciando o protagonismo dos cativos batizados, seus pais e padrinhos bem como o dos africanos escravizados naquela freguesia rural, periférica, cristã e escravista ao norte do Recôncavo baiano. Os registros eclesiásticos são muito ricos em detalhes e possibilitaram traçar o perfil demográfico da população cativa da referida freguesia e verificar a existência de uniões legitimas e ilegítimas. A documentação viabilizou ainda examinar a atuação dos párocos diante das Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia e a escolha de padrinhos e madrinhas. A constituição espiritual e familiar por meio do compadrio propiciou aos escravos ampliar suas redes de laços afetivos e de solidariedade horizontal e vertical, dessa forma, tal estratégia de sobreviver ao jugo da escravidão demostra o quão esses sujeitos foram ativos e participantes das negociações em que eram feitas na pia batismal com efeito duradouro nos vínculos societários.
Palavras-chave: Escravidão, Batismo, Compadrio, Santana do Catu, Século XIX.

ABSTRACT

This research intends to analyze the baptism registers within three parish books of the Headquarters Freguesia de Santana Do Catu in the first half of the XIX century, therefore, between the years of 1826 to 1849. This privilege documentation, aimed to verify and comprehend the relations of crony created by the slavery community set on that place. Thus showing, the protagonism of baptized captives, your parents, and godfathers similar to the enslaved Africans in that rural freguesy, peripheral, Christian and slaver on the north of the Recôncavo baiano. The ecclesiastic registers are too rich in detailed and, therefore, permited tracing the demographic profile of the captive population of this freguesy, and also alowed verify the existence of lawful and unlawful wedding. The docummentation made it possible to analyze the action of the vicars before the Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia and the choose of the godfathers and godmothers. The spiritual and familiar constitution by the crony provided to the slaves a chance to amplify their affective bonds of the horizontal and vertical solidarity, by that, such strategy to survive the slavery shows how much these individuals were actives and participate in the negotiations made in the baptismal sink with long effect in the social bonds.
Keyword: Slavery, Baptism, Cronyism, Santana do Catu, XIX Century.

ESCRAVIDÃO, BATISMO E COMPADRIO NA FREGUESIA DE SANTANA DO CATU – Sandi Santana – TCC

“E insuflou-me a espancar ”: Relações de gênero e violência em Sant’Anna do Catu no pós-Abolição, Bahia.

Larissa Cheyenne Nepomuceno de Jesus,  UNEB
Tainara Cecília Pereira Santos, UEFS
Resumo
O presente artigo tem como objetivo principal realizar, a partir do estudo de um caso de espancamento ocorrido em Catu em 1910, uma análise sobre as relações de gênero e as práticas de violência contra mulheres ocorridas no município nas primeiras décadas do pós-abolição e República na Bahia. A fonte eleita para realizar tal tarefa, o sumário de culpa, funciona, mesmo com a mediação e intervenção dos agentes jurídicos, como uma pequena fresta detentora de grande potencial para nos auxiliar no exercício de reflexão sobre as ações femininas e os diversos conflitos que permeavam suas existências, principalmente tratando-se de mulheres que pertenciam aos segmentos populares e que, desta maneira, em geral, não tiveram outras formas de preservar e registrar as suas ideias, sensações, dores e aspirações sobre suas vidas e relações com outros sujeitos. Palavras-chave: Mulheres negras; Violência; Pós-abolição; Bahia.

Abstract

The main objective of this article is to carry out, based on the study of a beating case that took place in Catu in 1910, an analysis of the gender relations and practices of violence against women that occurred in the city in the first decades of the post-abolition and Republic in Bahia. The source chosen to carry out this task, the indictment, works, even with the mediation and intervention of legal agents, as a small gap with great potential to assist us in the exercise of reflection on women’s actions and the various conflicts that permeated their existences. It works mainly in the case of women who belonged to the popular segments and who, in this way, generally, had no other ways to preserve and register their ideas, sensations, pains and aspirations about their lives and relationships with other subjects. Keywords: Black women; Violence; Post-abolition; Bahia.


“E insuflou-me a espancar ” Relações de gênero e violência em Sant’Anna do Catu no pós-Abolição, Bahia. Larissa Cheyenne Nepomuceno de Jesus,Tainara CecíliaSantos Revista

Inauguração do pelotão da polícia militar no Centro Administrativo, Aruanha (Boa Vista), no ano de 1996

A fotografia registra a inauguração do pelotão da polícia militar no Centro Administrativo, Aruanha (Boa Vista), no ano de 1996, durante a gestão de Antônio Pena. Ação importante para a segurança do município, a cerimônia era assistida por cidadãos e cidadãs catuenses, dentre os quais havia crianças, idosos e trabalhadores. Apesar de ser uma ação fundamental para a segurança, não podemos deixar de notar a presença predominante do corpo de soldados ser masculina, apesar de a Polícia Militar contar com um grupo feminino, apenas no século XX, as regras de ingressos para mulheres se tornaram menos rígidas.

Créditos: Disponibilizada à página Catu Relíquias, foto cedida por Carlos Barbosa.

Professora Maria Lúcia Pinto com suas alunas no colégio Doutor Inocêncio Góes

Catu A foto registra a atuação da professora Maria Lúcia Pinto com suas alunas no colégio Doutor Inocêncio Góes, em 1972, localizada na Avenida Padre Cupertino, em frente à Praça Duque de Caxias. Às mulheres estava reservado trabalhos relacionados aos cuidados, como a enfermagem, e aos trabalhos domésticos. A docência também entra nessa ceara. Mas a docência era uma das poucas atividades para as quais as mulheres tinham liberdade de atuação, ainda assim, o registro demonstra as transformações da sociedade, uma vez que a educação de garotas é fundamental para consolidar as liberdades das mulheres.

Créditos: Disponibilizada à página Catu Relíquias, foto cedida por Maria Lúcia Pinto.

Nove vaqueiros na década de 60

Em registro da década de 60, é possível visualizar nove vaqueiros. Ao menos 6 são identificáveis: Tavo;  Zé Bia; e Odorico da Fazendo Calolé. Outros são: Everaldo e Portfário da Fazenda Sapucaia; e Francisquinho de Zé Bia. Ambas as fazendas estão localizadas na zona rural de Catu. Na Catu ainda rural dos anos 1960, mesmo dividindo espaço com os poços de Petróleo que surgiam de forma acelerada, o trabalho no campo ainda era fundamental para a dinâmica da sociedade Catuense.

Créditos: Disponibilizada ao site Catu Relíquias, foto cedida por Carlos Barbosa.

Mulher negra acompanhando três crianças brancas em frente ao casarão das sete portas em 1953

O registro fotográfico apresenta uma mulher negra acompanhando três crianças brancas em frente ao casarão das sete portas em 1953, na comunidade de São Miguel. O trabalho do cuidado, responsabilidade das mulheres, neste caso, de uma mulher negra, era o mais comum para uma população que teve seus direitos de acesso e cidadania negados durante mais de 300 anos de escravização, e renegados durante o período Republicano instaurado em 1889.

Créditos: Disponibilizada ao site Catu Relíquias, foto cedida por Zenóbio Castro Filho.

 

10 garotas na comunidade de São Miguel em 1943

A foto apresenta 10 garotas, na comunidade de São Miguel em 1943. Algumas brancas e negras, a maioria de pele clara, na escola feminina com professora “Dinha Mãe”, prima da professora Geminiana Souza Assunção. A educação feminina, apesar de contribuir para a emancipação das mulheres, se pensarmos mais amplamente, tinha o objetivo de ensinar e transmitir valores do cuidado, o que de algum modo contribuía para uma manutenção das posições. Ainda assim, cumpriu papel fundamental para a emancipação feminina dentro das possibilidades do contexto.

Créditos: Disponibilizada ao site Catu Relíquias, foto cedida por Zenóbio Castro Filho.

 

Feira livre de Catu, na década de 1930

O registro mostra a feira livre de Catu, na década de 1930, quando a atividade ainda se concentrava na Praça Lourenço Olivieri. A feira tinha importância central para a economia da época, uma vez que a cidade dependia bastante desses circulação para abastecer a cidade de víveres essenciais. A economia da cidade foi bastante impactada com a chegada da Petrobrás no município o que trouxe outra dinâmica para o mercado na cidade, pois circulava mais dinheiro aumentando a circulação de mercadorias. Como uma comunidade que experimentou a escravidão em seus engenhos, boa parte da população que comercializava na feira era negra, o que nos lembra o impacto da escravidão na comunidade, que perdura até os dias atuais.

Créditos: Disponibilizada ao site Catu Relíquias, foto cedida por Antônio Sérgio Farias.

 

Carro de boi transportando cana-de-açúcar para o engenho em São Miguel.

O registro sem data precisa, mas de algum momento da segunda metade do século XX, podemos observar um carro de boi, tipicamente conhecido pelo barulho produzido pelo atrito da madeira na estrutura da roda, transportando cana-de-açúcar para o engenho em São Miguel. Não é possível saber ao certo o engenho, tendo em vista que em São Miguel possuía 7 engenhos. O registro revela as possibilidades de existência de pessoas negras, num país que experimentou mais de 300 anos de escravidão.

Créditos: Disponibilizada à página Catu Relíquias, foto do acervo pessoal da Sr. Maria Anunciação Borger, cedida por @cenóbio_castro.

Foto do cotidiano em São Miguel Inácio em meados do século XX.

 

Foto do cotidiano em São Miguel Inácio em meados do século XX. Na foto, observamos uma barbearia improvisada, estruturada por uma tenda feita de madeira e telhas. Apesar da simplicidade, o registro demonstra com os trabalhadores engendravam possibilidades para cuidar da beleza e da saúde, demonstrando ainda que as classes subalternas também mobilizavam, à sua maneira, códigos e condutas de beleza e do belo.

Créditos da foto: Disponibilizada à página Catu Relíquias, foto do acervo pessoal de Josenias (em memória), cedida por @cenóbio_castro.